Hipocris Brasilis I – O Caso Val Baiano

outubro 30, 2009

Val Baiano –  jogador do Barueri – arranjou uma bela confusão apenas por ser honesto. Deu a entender em entrevista, a existência de mala branca paga pelo Cruzeiro aos jogadores de seu clube, para dificultar a vida de um dos concorrentes da equipe celeste ao título.

Val Baiano - foto cortesia Terra
Rapidamente, pipocou por toda imprensa esportiva uma avalanche de opiniões e achismos, um mais ridículo do que o outro.

Pagar pra alguém entregar o jogo? Ilegal, Imoral e Desonesto. Não poderia concordar mais com isso.

Agora, gratificar um atleta porque ele demonstrou vontade, garra e auxiliou sua equipe e a de um concorrente é errado? Não concordo.

Você por exemplo. Teu direito é teu salário correto? Está em contrato, você desempenha suas funções, carrega responsabilidades, supera obstáculos e conquista objetivos, certo? É errado a empresa querer te oferecer um PLR (programa de lucros e resultados)? É errado ela te pagar um 14o. salário? Ou mesmo um 15o.?

Então porquê é “errado” o atleta receber um muito obrigado de um clube “co-irmão” (que é como eles gostam de se tratar), por ter se superado mesmo sem qualquer outro objetivo na competição? O errado não seria ele jogar menos? Porquê puní-lo com palavras nefastas e hipócritas se ele apenas recebeu essa gratificação?

A imprensa esportiva, os dirigentes e os atletas precisam parar com essa hipocrisia medíocre que tomou conta do futebol. Já está ficando chato demais…

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Rubens Barrichello – A Grande Verdade

outubro 20, 2009

pelo competentíssimo Flávio Gomes

clique no link para ler completo>>> http://ow.ly/vrw3

SÃO PAULO (e chega) – De todas as pessoas que encontrei hoje, ouvi: “Esse Rubinho é um cagado, mesmo”, “Puta azar deu o Rubinho”, “Esse Rubinho é muito ruim”, “O cara é muito azarado, tinha de furar um pneu?”, “Esse cara é muito ruim, não vai ser campeão nunca”, “Quando a gente mais espera dele, faz isso”.

E algumas variáveis sobre o mesmo tema.

Eu já tinha dessa impressão, mas depois deste fim de semana, tenho certeza. O problema de Barrichello não é ele, não são seus carros, não são seus companheiros de equipe. O problema de Barrichello é a TV Globo.

E por que a Globo, e não toda a mídia? Porque não se deve ter nenhuma ilusão. A imensa maioria das pessoas no Brasil só se informa sobre F-1 pela Globo. “Se informa” é um eufemismo, melhor corrigir. Digamos que a cultura de F-1 que a imensa maioria das pessoas tem no Brasil vem daquilo que a Globo diz.

E a Globo só diz besteira. A cultura de F-1 do brasileiro médio é zero, talhada pelas cascatas globais.

Barrichello não fez nada de errado ontem, não errou ao tentar a pole com o carro mais leve, não teve azar nenhum, não foi cagado. Mas a histeria global, martelada dia após dia — e quando a corrida é no Brasil, e ele está na pole, chega a ser quase uma lavagem cerebral, uma lobotomia —, faz com que o público aqui acredite que Rubinho do Brasil tem a obrigação de ganhar, e se não ganhar, das duas uma: ou sacanearam com ele, ou é um cagado que não tem mais jeito.

As pessoas veem uma corrida de F-1 aqui com zero de informação honesta. Ontem, depois de dez voltas já era possível afirmar que Rubens não venceria a prova. Simples: não abria de Webber e iria parar cinco voltas antes nos boxes. Cinco voltas, com um carro mais rápido e cada vez mais leve, seriam mais do que suficientes para Webber voltar à sua frente do pit stop. E Kubica, também. Ambos passaram.

Rubens apostou no clima instável de São Paulo, no que fez muito bem. Larga na pole, pula na frente, vai que chove no início, todos têm de parar, a vantagem do carro mais pesado é anulada. Ou, ainda: acontece alguma merda atrás dele, Webber se enrosca, Kubica bate, fica para trás, e a vantagem é igualmente anulada.

Mas há uma desonestidade editorial clara naquilo que a Globo faz, alimentando uma expectativa que não poderá ser cumprida. Porque corrida de carro é muito mais do que essa gritaria de “Vâmo, Rubinho!”, “Não erra agora, Rubinho!”, “Acelera, Rubinho!”. Corrida de carro tem lógica, é matemática, e quem mostra um evento desses a milhões de pessoas tem a obrigação de ser honesto.

Porque se não for, as pessoas não têm elementos para entender a derrota. E se amparam na explicação que está à mão: o cara é cagado, dá azar, não vai ganhar nunca. Ou, ainda: furaram o pneu dele de propósito.

E, aí, vai-se criando a fama, dia após dia, de perdedor, azarado, cagado. Uma farsa, uma mentira. A TV mente o tempo todo. Foi assim nos anos pós-Senna, em que Barrichello, de Jordan ou Stewart, não tinha a menor chance de ganhar uma corrida, embora a TV dissesse o contrário. Porque corria contra Williams, Ferrari, McLaren, Benetton. Depois, na Ferrari, a venda de ilusões baratas era igualmente cruel, porque contra um piloto como Schumacher, Barrichello jamais seria campeão. Não seria porque Schumacher era muito melhor. Se eu for companheiro de Barrichello numa corrida de qualquer coisa, não terei chance alguma de andar na frente dele. Deem um kart para ele e outro para mim, e ele vai chegar na frente todas as vezes. Entreguem um Lada igualzinho ao meu, e não vou ser mais rápido que ele nunca, em nenhuma volta.

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Roberto Rivellino – Homenagem

agosto 26, 2009

Apenas colocando as coisas nos devidos lugares. Segue o link do link.
homenagem a Roberto Rivellino

A piada é cá, não lá

abril 3, 2009

Até quando o brasileiro vai cair nessa da imprensa? Até quando semear a discórdia vai ser legal? Até que ponto vai essa campanha contra um vizinho que deveria ser parceiro, pra também eles semearem essa ridícula rivalidade?

Foi-se a muito tempo a diferença esportiva, o sarro ‘na boa’. Já não parece mais proposital, já virou obrigação desdenhar do argentino em geral.

Já virou Corinthians e Palmeiras, Cruzeiro e Atlético, Remo e Paysandú, Ceará e Fortaleza. Infelizmente.

É até engraçado e mostra a falta de inteligência dos que hoje comandam o pensamento do povo. Talvez eles não tenham estudado a história, talvez eles não saibam que a Argentina um dia se ofereceu parceira, numa batalha horrenda que devastou o Paraguai. Talvez eles tenham esquecido a nacionalidade do Meligeni, quando comemoraram o Panamericano, ou mesmo talvez eles tenham esquecido entre um corte e outro naquela maravilhosa picanha argentina.

É preciso tomar a frente na responsabilidade de parar com isso. Devemos respeitar todos os povos, assim como todos devem respeitar o Brasil. Talvez por isso não tenhamos esse respeito hoje.

Afinal, não esqueçamos – como diz o colunista Simão – qual é o país da piada pronta.

Os Ultimos são agora, os primeiros

março 30, 2009

Os últimos serão os primeiros. Quem espera, sempre alcança. Paciência é uma virtude. Todos ditados óbvios e contestados, principalmente num ambiente onde a velocidade é o que manda. E por pelo menos 13 anos, foram ouvidas, repetidas, contadas, tentando apequenar alguém que obviamente nasceu com uma grandeza enorme.

Neste último domingo, vimos algo ‘poeticamente espetacular’. Vimos um batalhador e perseverante brasileiro dar o troco em muita gente, e iniciar uma nova fase na fõrmula 1. Ele que – achincalhado – maltratado e alvo de piadas de um sem número de pessoas , finalmente começou a ter a recompensa por tudo aquilo que sofreu.

Um piloto que nunca quis desafiar o mito Ayrton Senna, que sequer respondeu à sisudas provocações de Nelson Piquet, e que sempre teve a simpatia de poucos, fez uma corrida boa, e com a ajuda dos deuses do esporte, foi premiado com a segunda colocação. Primeira dobradinha de algumas – quiçá trocadas – irão acontecer durante esse ano, que desejo muito transforme-se na conquista de um campeonato há muito esperado, ao menos por mim. Comemorarei em uma felicidade maior pela pessoa que o conquistou, do que qualquer significado que possa ter ao “povo brasileiro”, que qualquer grito estridente que o narrador possa tentar me persuadir a sentir de outra forma.

Muitas vezes pensei que o esporte não tinha senso de justiça. Que o bom não ganhava, que o mal triunfava, e que o povo nunca ligava.

O povo que aprenda uma vez mais, que pra ter resultado é preciso se dedicar ao trabalho.

Parabéns Rubens! Que as glórias o alcancem, de uma ver por todas. Você merece.

Perseverança
Perseverança

Vôos Olímpicos

agosto 31, 2008

E a Olimpíada Vermelha se foi. Não tão vermelha, mas colorida. Quase aberta, não fosse pelo tirano e excessivo controle sobre a vida de Tibetanos, que apenas querem viver com a liberdade que cada ser humano merece.

A Olimpíada começou linda. Com algumas mentirinhas, mas que não agrediram, nem incomodaram qualquer coração. O homem levitou para acender a chama olímpica, e dias depois, o homem literalmente vôou por cem, duzentos e quatrocentos metros. Vôou um vôo dourado, nem mais nem menos bonito que o vôo de uma bela. Bela, que a quatro anos se transformara em fera, por um problema de doping – que eu nunca acreditei ter sido verdadeiro. Mas onde se pune, se paga com o prêmio.

A Olimpíada foi também destacada pelo elemento água. Vôou-se sob (e sobre) ela. E como Midas, outro monstro do esporte cumpriu com sua promessa, e entrou para a galeria Herculeana do Olimpo. E ainda pode sobrar heróicamente uma dose de ouro para o peixe mais rápido do mundo. Um brasileiro.

A Olimpíada foi também um demarcador de território, um incentivador ou então um apaziguador de qualquer súbita coerência e investimento no Esporte brasileiro. Por um lado ficou comprovado que o Esporte de Alto Nível só se consegue com investimento sério. Outro fator triste, foi ver que existem na Olimpíada ainda os que não tem um mínimo de humildade olímpica. Querem o dinheiro, pelo dinheiro e para o dinheiro. E esses tomaram um banho dos Deuses do Esporte.

Deuses estes que foram injustos algumas vezes, mas que devem estar guardando o melhor para quem merecia, e por um detalhe não conseguiram agora.

Foi-se mais uma Olimpíada. Mais um show do esporte, onde a grande maioria compreendeu que o show é apenas parte de um todo.

Um todo Olímpico.

A Revolução dos Cravos

junho 28, 2008

Dias históricos na história do Clube de Regatas Vasco da Gama. O dia, ou melhor a noite em que o poderoso chefão Eurico Miranda perdeu o trono.

Mesmo com apoio de alguns – que proferiam os mais terríveis xingamentos ao outrora maior ídolo do clube – Eurico não conseguiu sequer eleger o Presidente da Mesa. Restou a ele lamentar a presença de autoridades civis e eleitorais dentro do Vasco. Triste.

São já cinco anos sem qualquer título no futebol. Oito sem expressão. Talvez para alguns seja motivo de orgulho o futebol de botão, ou mesmo o boliche. Sim, deveriam ser. Mas para um clube com essa grandeza, não deveria ficar só nisso. Patrocinadores então? Tá certo que a camisa fica bonita sem eles, mas é o clube que sai perdendo. Exemplos como o do Bank of America, mortos votando nas eleições, anistia para partidários enfim, finalmente serão evitados – tenho certeza – daqui para a frente.

Vascaínos, torcedores e admiradores do futebol (e de todos os outros esportes lá praticados) comemorem. A Revolução dos Cravos trouxe a honestidade novamente ao Clube de Regatas Vasco da Gama.

Parabéns!

Thiago Motta

Vascoonline.net

Eurocopa Furiosa! e o Eurico também!

junho 22, 2008

Amigos do esporte, tanta coisa pra falar depois de um domingo recheado de esporte. É o Massa trilhando a ponta na F1 depois de tantos anos sem Ayrton, é o volei brasileiro caminhando no Gran Prix feminino e na Liga Masculina (embora tenha tropeçado uma vez na França com o time misto). Mas – e desculpem a repetição de posts, uma vez que o Márcio já falou sobre a charmosa Euro 2008 – nada vai impressionar mais do que a derrota da Holanda e a vingança espanhola perante à Azzurra campeã mundial.
É uma vitória do futebol pra frente, o futebol bem jogado, a diferenciação no pensamento de atacar para fazer o gol, sem se preocupar somente com o aspecto defensivo. É também um prêmio para Ikker Casillas, um ainda jovem goleiro que apareceu muito bem em 1999, um ano depois já estava disputando um Mundial Interclubes, e mereceu chegar à essa semifinal. Resta saber se entre a ‘surpresa russa’ e a fúria espanhola, quem sobrará para disputar a final.
Em São Paulo até hoje, um dos maiores tenistas de todos os tempos. Trata-se de Pete Sampras, dos saques mais perfeitos que a modalidade viu até hoje. Enfretou Fininho, enfrentou Oncins, foi homenageado pelos vips que puderam vê-lo, e foi embora. Tão rei, que seria ótimo poder ser homenageado por mais súditos. Infelizmente não foi pensado pelas empresas de marketing esportivo, não foi pensado pelos políticos que irão em pouco tempo degladiar-se pelo seu voto.
Pra terminar, parabéns ao Vasco da Gama, que deu início à volta de um processo democrático. Boa sorte, e breve aqui maiores informações com o Tiago.

A Eurocopa é Pop!

junho 19, 2008

Antes de mais nada eu gostaria de dizer que não gosto de futebol. E não consigo aturar o fanatismo extremo dos torcedores, que para mim beira a idiotia.

Meu negócio é música, mais precisamente rock. Mas, na Eurocopa desse ano, um detalhe me chamou a atenção. Em dois jogos que eu assisti pela televisão, Itália X França e Portugal X Alemanha – esta a primeira quarta de final, ocorrida hoje – momentos antes de os jogadores entrarem em campo, os alto-falantes dos estádios despejavam em alto e bom som a música “Seven Nation Army”, hit do White Stripes. Trata-se daquele duo norte-americano que faz um rock bem garageiro e tosco, só com guitarra e bateria.

Confesso que o fato me deixou surpreso! Era bacana ouvir o povo nas arquibancadas entoando o rife (já tão conhecido) da música na base do “Ôôôôôôôôô!!!!!”.

Por alguns momentos, eu me imaginei como um dos jogadores entrando em campo ao som da música e do coro da massa. Que adrenalina! Por fim, fiz a constatação: “Seven Nation Army” é uma música perfeita para embalar jogo de futebol. E é a prova de que o futebol europeu é pop! Até na trilha sonora!

E enquanto isso, aqui embaixo nos Trópicos, ontem a nossa seleção jogou contra a Argentina, em jogo válido pelas Eliminatórias da próxima Copa do Mundo. Não bastasse o desempenho pífio do time do Dunga, antes de o jogo começar, o público assistiu o show do Jota Quest. Mais broxante, impossível. Os fãs do grupo mineiro que me perdoem. E ainda durante o intervalo do jogo o Skank estava previsto para tocar. Mas o show do grupo foi cancelado. É por essas (e muitas outras) que ultimamente tem dado desgosto assistir o futebol brasileiro.

Saint Patrick’s novamente no basketball!

junho 19, 2008

Amigos do Esporte!

que volta para o nosso bate-papo semanal! De uma época onde um site não se chamava blog, onde era bem mais complicado manter um texto na Web enfim, onde o esporte tinha apenas entrado nessa nova era da Internet 2.0!

Depois de 22 anos, o maior campeão de basketball de todos os tempos da NBA finalmente volta a distribuir anéis de ouro entre os seus! Nada mais justo para uma equipe que focou seu trabalho em uma defesa forte, em seus tres pilares (Pierce, Garrett e Allen), e no trabalho simples porém eficaz de Doc Rivers!

Todos nós, admiradores e fãs de caras como Bill Russell, Larry Bird, Robert Parish, Red Auerbach, ficamos muito felizes em ver novamente a mística celta cobrindo os EUA de verde e branco, dando uma verdadeira surra (mais uma vez) na freguesia.

A diferença de pontos além de novo record em finais, mostrou um time coeso, uma equipe com banco e com muito talento. Mais perfeita impossível, essa série de playoffs.

Parabéns Boston! Parabéns mundo Celta! Que a mística permaneça para a próxima temporada.